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O ex-piloto Paulo César Newlands nos mandou informações que permitem corrigir alguns equívocos no que se refere às modificações introduzidas na carroceria da Ferrari 250 GTO Drogo que foi de sua propriedade por aproximadamente 4 anos.


Informa-nos o piloto que o carro , após o acidente ocorrido no Autódromo de Jacarepaguá, quando teve, um dos pneus estourado saiu da pista em um desnível de cerca de 2 metros e teve que passar por uma considerável reforma e, com ajustes aerodinâmicos considerados necessários para melhorar seu. Todas essas modificações foram feitas em Petrópolis e não em Três Rios, como informamos no texto original.

Os ajustes foram os seguintes:


1) Nivelamento dos pára-lamas traseiros à altura da junção com a porta, com a finalidade de permitir captação de ar para os freios traseiros.
2) Abertura nos pára-lamas traseiros, atrás da rodas, com a finalidade de permitir a saída do ar após passar pelo disco e pinça de freio.
3) Nivelamento do teto reduzindo o arrasto aerodinâmico e melhorando a estética.
4) Colocação de “spoiler” abaixo da tomada de ar, direcionando ar para o radiador de óleo.
5) Fechamento da tomada de ar no início do capô que provocava tendência de inflar a carroceria em alta velocidade.
6) Adaptação de faróis duplos que permitia melhor adequação à velocidade do carro.
7) Colocação de “spoileres” frontais e laterais para melhorar a aderência do carro à pista.
8) Arredondamento do ressalto do capô e fechamento de dois buracos que existiam à frente do mesmo, reduzindo o risco de absorção de detritos pelos carburadores.
9) Substituição das lanternas traseiras por outras de melhor visibilidade.
10) Substituição dos botões de comando do painel, que eram pontiagudos e curtos, por botões lisos, macios e florescentes, permitindo melhor acesso durante as corridas noturnas.

Paulo informou ainda que adquiriu a Ferrari de Cláudio Klabin e para vendê-la tentou de tudo, até exibi-la no autódromo de Tarumã na época da sua inauguração. Acabou entregando-a como forma de pagamento na concessionária Chrysler de São Bernardo do Campo na compra de um Dodge Dart.
Ainda naquele ano, foi procurado pelo Camillo Christófaro que queria reaver o carro. Paulo apresentou o novo proprietário e assim a Ferrari voltou para as mãos do seu antigo dono.

A meu pedido, Paulo acabou relatando a sua experiência quando venceu o Circuito de Petrópolis em 1967 com a Ferrari 250 GTO Drogo:

“Dedico estas linhas a todos que, em uma ensolarada manhã de domingo de julho de 1967, na cidade de Petrópolis, partilharam comigo deste mágico evento.
Noite de sábado, véspera da corrida, passava das dez da noite, quando dirigindo a Ferrari cheguei ao centro da cidade de Petrópolis. Ato contínuo me encaminhei para o que seria a pista.
Um giro lento por aquelas ruas se fazia necessário. Eu não havia treinado.
A Ferrari tinha como vantagem a sua potência, mas como desvantagem o seu peso e o entre-eixos alongado.
Na definição do grid de largada, por sorteio, coube-me a quarta posição.
Dada a largada, o carro da frente não largou quando todos da fila da direita partiram.
Costurando entre os mais lentos, iniciei a perseguição dos líderes.
Nas primeiras voltas me assustei com a pista e com um carro da prova de estreantes encaixado entre um poste e um muro, em uma curva de noventa graus.
A Ferrari trepidava, rangia e “quicava” sobre a pista de paralelepípedo, perdendo aderência. Postes, palmeiras a um metro da pista. Público no final do retão.
Um defeito na base do paralelepípedo contribuía para formar um “calombo” no final do retão. Decolando desse ponto, aterrisava a poucos metros da massa humana. Então, mudei o traçado: manter a faixa da direita e, ultrapassando o “calombo”, “ziguezaquear” para a faixa da esquerda e tangenciar a curva à direita.
Após várias voltas, ali, na curva do obelisco, jazia um dos carros favoritos com as rodas vergadas. Menos um, pensei!
Mais voltas e outro competidor de peso escalara o meio-fio. Eufórico gritei: menos dois! Arrependi-me! Poderia ser o próximo.
A intimidade com a pista crescia volta após volta, quando visualizei, ainda distante, aquele que julguei ser o líder. Ânimo renovado, pisei mais forte o acelerador.
A imagem vermelho-Ferrari no retrovisor dele deve ter causado desconforto e à medida que eu encurtava a distância, a pressão aumentava, até que um poste barrou-lhe o caminho. Restava agora o líder da prova.
Em dado momento emparelhamos, e não me lembro se olhei para ele, mas senti o coração bombear mais vigorosamente. Superara o líder da prova.
Bandeirada final da corrida, a volta da vitória, o povo aplaudindo.
Troféu inexistente, mas a vibração dos espectadores mais que compensou.”

Paulo César Newlands
Rio de Janeiro, 24 de novembro de 2007.

DADOS SOBRE O CIRCUITO DE PETRÓPOLIS DE 1967

PROVA: X Circuito de Petrópolis
CIRCUITO: Petrópolis – RJ
DATA: 30/07/1967
PERCURSO: 50 voltas de 2,990 km = 149,500 km
TEMPO TOTAL: 1h23m11s5
MÉDIA HORÁRIA: 107,823 km/hora
MELHOR VOLTA: Paulo César Newlands (Ferrari 250GTO Drogo)
POLE-POSITION: Norman Casari (DKW Malzoni IV) 

COLPILOTOUFCARROCCVTS
Paulo César NewlandsRJ11Ferrari 250 GTO Drogo2.95350
Aylton VarandaRJ2Karmann Ghia Porsche1.96650
João Varanda FºRJ7Karmann Ghia Porsche1.58250
Marivaldo FernandesSP45Renault R-81.10850
Norman CasariRJ96DKW Malzoni IV1.08047
Maurício Chulan NetoRJ111Willys Interlagos99846
Feres Fahyra NetoRJ26VW Sedan1.19243
Lair CarvalhoRJ49Renault 109384543
Nelson CintraRJ51Renault 109384541
10ºJosé ScioRJ20Renault 109384538